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29 de nov de 2010

Primeiras coisas primeiro: por onde começar a escrever um romance?

Em meu post anterior, falei que "começar a escrever pelo primeiro capítulo" era um erro.
Pois bem, se não começamos pelo primeiro capítulo, por onde devemos começar?
Antes de colocar qualquer coisa no papel, você deve definir bem sobre o que sua história será.  Afinal, uma história é um relato sobre alguma coisa que ocorreu. Sem mudança de contexto, sem conflito, sem algo que quebre a rotina, uma história não é uma história de verdade Vejamos a famosa frase de John Le Carré: "O gato deitou no tapete" não é o começo de uma história, mas "o gato deitou no tapete do cachorro", sim.
Ora, o escritor precisa definir, antes de tudo, qual é o coração de sua história; o que os leitores responderão quando perguntados: "Sobre o que é este livro?".
No exemplo de Le Carré, a história não é sobre um gato, nem sobre um gato que deita em algum lugar, mas sobre o conflito de um gato com um cachorro.
Este "coração" é chamado tecnicamente de premissa.
A premissa, idealmente, é

a primeira coisa a ser escrita no livro, e é ela quem direcionará todo o seu esforço de criação.
Na prática, contudo, muitas vezes você começa definindo um rascunho da premissa, depois parte para a estrutura da história para validar se a premissa se sustenta, e a seguir retorna à premissa, escrevendo sua versão final, para então partir para a versão final da estrutura da história - em um próximo post falamos sobre a estrutura!
Uma boa premissa precisa instigar o leitor (portanto, nada melhor do que ser expressa em uma pergunta), e precisa ser simples e clara. Nela não vamos (necessariamente) dar características dos personagens, a menos que isso seja essencial para a história. O ideal é que a premissa estabeleça qual a situação central da trama, quem é o personagem principal, quem ou o que é seu principal antagonista, e as metas do personagem e do antagonista.  Anote estes pontos, se você conseguir definir uma boa premissa, boa parte de seu trabalho como escritor já está feito - pode parecer até exagero, mas quanto mais experiência eu adquiro, mais eu acredito nisso!
Vejamos, apenas como exemplo, a premissa de meu próximo livro, que tem como título de trabalho "As incríveis memórias de Samael Duncan":  "Samael Duncan, senhor de 130 anos de idade, decide registrar suas memórias e descobre terríveis segredos sobre seu passado.  Ao sentir a proximidade da morte, ele se questiona: Terá baseado toda sua vida em uma mentira? E mais: haverá tempo de descobrir a verdade?"
Uma outra premissa, com os pontos que mencionei mais "explícitos", poderia ser: "Órfão, vivendo em um armário embaixo da escada e desprezado pela família adotiva, o garoto Harry Potter, ao descobrir que seus pais eram bruxos, vai a uma escola de bruxos em busca de descobrir os segredos de seu passado . Conseguirá Voldemort matá-lo, como fez com seus pais, antes que Harry se torne um bruxo adulto, com pleno controle de seus poderes?"  
Vejam que a premissa não é a história, nem a sinopse da história, nem um resumo dela; ela é um guia, uma pergunta que será respondida no correr da obra.
E é esta pergunta direciona todos os esforços do escritor, que continuam, logo a seguir, com a criação da estrutura das tramas do livro.

Fonte: VIDA DE ESCRITOR

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