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12 de nov de 2010

A Arte de escrever X A Arte de contar boas histórias

já faz algum tempo que falar mal do Paulo Coelho virou esporte entre os membros da intelligentzia nacional.
Bem, aqueles que o fazem sem pensar podem começar a falar mal de mim, também, pois eu penso diferente. Vamos aos "fatos"!
Podem me chamar de ingênuo, mas eu acredito que uma pessoa que escreve histórias que foram traduzidas em 67 idiomas e que são vendidas em mais de 150 países (conforme informação de seu site, http://www.paulocoelho.com.br/) não pode estar tão errada como querem fazer acreditar seus detratores. Isso, sem contar com as dezenas de premiações que ele já recebeu (veja algumas em http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Coelho). As "explicações" para este fenômeno normalmente não passam pela qualidade de suas histórias, o que é (no mínimo) uma abordagem ingênua: "são os tradutores que fazem o dele texto ficar bom", "é o marketing é que faz o autor vender", "virou moda comprar livros do Paulo Coelho" etc.

Eu li três dos livros do Paulo Coelho e, como leitor, digo que não são bem o estilo de livros que gosto de ler - mas é coisa de gosto pessoal, mesmo.
Como revisor, posso dizer que uma coisa que me incomodou nestes livros é que eu esperava uma revisão mais cuidadosa do texto.  Particularmente, acredito que foi por isso que nasceu esta moda de falar mal do autor.
De qualquer forma, o estupendo sucesso de vendas do Paulo Coelho foi um mistério para mim por muito tempo, até que, um dia,
 li uma entrevista do Ziraldo para a revista "Discutindo Literatura". Nesta entrevista, o Ziraldo falava que "A arte de saber escrever bem é diferente da arte de saber contar boas histórias" (ou algo assim, estou tirando de memória). Na sequência, ele dava alguns exemplos de escritores que são exímios na arte de compor palavras, mas escrevem histórias extremamente chatas; e outros escritores que usam palavras simples, estruturas de enredo simples, mas que conseguem prender o leitor do início ao fim do livro.
Levando ao extremo, lembro que há alguns anos conheci um senhor analfabeto que produzia poesias "de cabeça" (já que não sabia escrevê-las), e contava histórias que deixavam toda a "platéia" ansiosa para saber como terminavam.  No lado oposto, há escritores que me atraem pela capacidade de trabalhar com as palavras, mas acho suas histórias simplesmente - digamos - "pouco estimulantes".
Pois bem, esta entrevista do Ziraldo me iluminou: o segredo do Paulo Coelho é saber contar boas histórias, histórias que resistem ao tempo e são independentes do país, que falam de sentimentos com os quais qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo consegue se identificar. Pelo menos é o que acredito.
Há algumas lições disso para você, que quer ser escritor.
Primeiro, exercite sua arte de contar histórias. Não apenas escrevendo: Conte histórias para amigos, para seus filhos, seu gato ou suas plantas. Apenas exercite esta arte, sempre.
Segundo, exercite sua arte de escrever. Escreva muito, faça oficinas, cursos, participe de retiros de escritores, peça que um revisor profissional revise seus texto e aprenda com suas correções. Estude, se aprimore, e acredite: isso não vai fazer sua arte ficar menos "autêntica". Afiar o lápis não piora a qualidade do texto - muito pelo contrário!
Por fim, uma questão de ética: Nunca fale mal de um colega escritor, seja ele famoso ou desconhecido. Se você vê um problema objetivo - por exemplo, falta de revisão - fale do problema, sugira melhorias, indique o que você faria diferente. Agora, falar mal por falar mal, a meu ver, é simplesmente fofoca e só depõe contra quem está falando!

Fonte: Vida de Escritor

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